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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Registro de cabeça

As pessoas falam que estudar canto lírico ou popular "tanto faz", que é tudo a mesma coisa. O próprio povo de canto acha isso. Eu acho isso um absurdo.



Eu estudei as duas. Então acho que posso falar de cadeira. O canto lírico surgiu numa época em que os cantores tinham que cantar com orquestras em teatros e auditórios para 1.000, 2.000 pessoas. O canto popular é da era pós-microfone, em que você pode até sussurrar e será ouvido. Como se pode dizer que as duas técnicas são iguais? É não conhecer nada de história da música ou mesmo de emissão sonora.



Ambas, claro, usam o mesmo instrumento: o corpo humano. Então ambas se utilizam de um mesmo sistema de musculatura, a saber: músculos laríngeos, cervicais, toráccicos, intercostais, abdominais, diafragmáticos. Uia! Acharam que pra cantar era só abrir a boca? Que nada! Exige muito estudo e dedicação.



Claro, estou falando de um músico profissional, que pretende ter uma vida útil como cantor por pelo menos 30 anos. Se você só canta nas festinhas familiares ou se você é cantor profissional mas não tá nem aí se estragar sua voz, porque um dia vai trabalhar com outra coisa...então tudo bem, abre a boca, regula a afinação e vai. Mas se você pretende ter qualidade sonora e, ainda assim, não estragar seu aparelho vocal...é bom procurar um professor de canto (eu dou aula!).



Bom...ainda vou falar muuuuuuuito sobre tudo isso, mas hoje o que quero falar é o seguinte: por questões que eu considero históricas, raciais e culturais, o canto lírico sempre valorizou mais os agudos. Minha voz sempre foi mais aguda, então todos achavam lindo e eu trabalhava bastante esses agudos, alcançando notas como fá e sol 4, por exemplo. Não sou nenhuma sopraníssima mas, para a média da população, são notas altas.



Estudando a técnica de canto popular, que não se utiliza desse tipo de classificação vocal, mas pretende aproveitar (e, quem sabe, extender) a extensão natural da voz do cantor, fui trabalhando também os graves e hoje posso dizer com orgulho que consigo emitir belos graves. Novamente, não sou nenhuma contraltíssima, mas...chego ao mi e as vezes ao ré 2. (Engraçado que meus agudos também se extenderam ao trabalhar os graves (cuma?! hihih, outro dia explico), e hoje chego ao si4.)



Ok, bacana. Mas aí tem a coisa do registro. Sendo considerada soprano no canto lírico, eu sempre me utilizei do registro que a gente chama "de cabeça", que é um registro mais agudo e mais leve. Trabalhando os graves, aprendi a usar mais o registro "de peito", mais pesado e grave. No popular, a gente trabalha muito com o que chamamos de "voz mista", que é algo que não tem muito no lírico (eu, pelo menos, nunca trabalhei), então é algo novo pra mim e não tenho lá muita facilidade. Pense que é como se existisse um continuum de vibração da voz no seu corpo, e uma nota grave vai começar lá na caixa dos peitos (hihihi) e uma muito aguda vai terminar lá no cucuruto da cabeça. Pra você fazer o som viajar por todo esse percurso, você vai mudando a voz de lugar. É mais ou menos o que a gente chama de registro.



No lírico esses registros são mais estanques. Quer dizer, se você é soprano, provavelmente vai trabalhar muito (e, possivelmente, apenas) o registro de cabeça; se você é contralto, o de peito. E isso vale para os meninos também, tenores, baixos e toda a variação de coisas que existe entre um e outro.



No popular não, você vai brincar com todos esses registros, passando o som de lá pra cá e de cá pra lá, a depender da extensão da música e mesmo da interpretação que você queira dar a ela. Então, digamos que estou aprendendo a brincar com a minha voz, de lá pra cá.



Já estou bem melhor hoje. Antes era horrível, você ouvia a diferença quando eu mudava de um registro pra outro. Hoje as vezes se ouve, as vezes não. Mas estou melhorando nisso aí.



A questão é que fiquei tão dedicada, gostei tanto dos graves, estou procurando sentir tanto a voz mista que...deixei a voz de cabeça de lado e, como minha professora disse, criei uma resistência à voz de cabeça, ao ponto de que agora eu ando desafinando! Mas veja só que absurdo!







E aí...mesmo assunto do post passado...comecei a sofrer com isso. Sofrer porque ia cantar. Porque talvez não conseguisse a voz mista; talvez desafinasse; talvez me preocupasse tanto com a técnica que a interpretação fosse embora; talvez, talvez, talvez...ARGH!!



Ontem teve ensaio pra apresentação do dia 09 (vão!) e aconteceu tudo isso. Aí eu cheguei em casa e pensei que eu já decidi parar de sofrer, então vou parar de sofrer com isso também. Ora, cantar é pra ser uma coisa divertida e deliciosa, e eu perdendo tempo querendo "fazer direito"? Me poupe!



Peguei as músicas da apresentação e cantei tudo de novo. Meus vizinhos são ótimos, eu fico lá emitindo meus agudos 23h30 da noite e ninguém fala nada. E aí eu usei voz de cabeça, voz de peito, voz de tornozelo e de cotovelo à vontade (risos). E as músicas ficaram lindas! Muito mais verdadeiras e com a minha cara.



Vou continuar treinando. Espero conseguir fazer isso no palco também pra vocês verem o resultado. Delícia de minha vida que é cantar! Vão me ver!!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Apenas a próxima nota


Sabe quando acontece algo que faz sua ficha CAIR? Foi assim pra mim ontem.


Foi o dia da prova de Percepção. Eu estava tão nervosa e desesperada, certa, mais que certa, de que ia tirar 0, então já tinha decidido não ir e largar a disciplina.


Conversei com o professor, conversei com Mainha...(suspiro) e com Deus e com meus botões. E me caiu a ficha de que...JÁ ESTÁ MAIS QUE NA HORA DE SER FELIZ.


Sim, porque eu ando sofrendo muito! Estou fazendo de tudo que eu amo um sofrimento. Sofro com a faculdade porque não consigo tirar 10 em tudo; sofro com os 1.482 ensaios, porque fico sem tempo pra nada; sofro porque não canto e sofro quando vou cantar. Poxa!


Assim não pode ser. Pra tudo é preciso temperança, ja dizia o tarô. (suspiro) Estou precisando de tempo pra descansar. Pra ficar de bobeira. Pra estudar tantas outras coisas necessárias fora da faculdade. Pra sentar e ver o pôr do sol. E, apesar de ainda estarmos em outubro, essa foi uma prioridade que decidi colocar para o ano que vem: RELAXAR!


Então eu fui fazer a prova. "Ok, eu vou tirar 0", eu pensei. "Então, se eu acertar escrever uma nota já estou no lucro, né? Já avancei." E fui assim, tranquila e calma. Tomei um lauto e delicioso café da manhã, sem agonia, sem precisar chegar cedo. Fui andando calmamente.
Começou a prova. Ouvi a música. Linda, de Marisa Monte.



Borboleta
Marisa Monte
Composição: Folclore Nordestino


Borboleta pequenina que vem para nos saudar

Venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal


Eu sou uma borboleta

pequenina e feiticeira

ando no meio das flores procurando quem me queira


Borboleta pequenina saia fora do rosal

Venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal

Borboleta pequenina venha para o meu cordão

Venha ver cantar o hino que hoje é noite de natal


Eu sou uma borboleta

pequenina e feiticeira

ando no meio das flores procurando quem me queira


Borboleta pequenina saia fora do rosal

venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal



Achei o primeiro grau da música. Vi que estava em escala maior. Vi que começava na tônica. E lá vamos nós.


As primeiras três notas eram os três primeiros graus. Ótimo, já tinha ouvido três notas, uau! E assim fui, sem muita preocupação, só tentando tirar "a próxima nota". De nota em nota, tirei a música toda! Era pra gente tirar a voz e o violão. Não consegui. Usei o tempo todo da prova para tirar só a voz. Então...eu conseguiria, só que estou ainda numa velocidade lenta. Acho que errei alguma coisa no final. Vi que tinha um intervalo fora da escala, alguma alteração, mas já não teria tempo de ver direito onde era. E entreguei.


O professor me deu parabéns. Não pela excelência da prova nem nada (hihih), mas por não ter desistido. "Pra quem estava com os ouvidos tampados, hein?", ele fez graça. É um fofo.


Hoje a borboleta sou eu. ;)
Borboleta pequenina saia fora do rosal
venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Academia da Música


A vida é muito corrida pra todo mundo. Tem sido difícil ver os amigos e parentes ou sentar numa sombra fresca com pessoas queridas.

Comigo não é diferente. Claro, às vezes acho que é até pior (todo mundo sempre acha, né?). Então acaba que coisas que me são prioridades - como estudar, por exemplo - vão ficando pra depois.

Então eu inventei um negócio chamado "Academia da Música". É um certo "acordo" que tenho comigo mesma. De que vou estudar canto, piano e percepção toooooooodos os dias, faça chuva ou faça sol. Se eu tenho 15 minutos, serão 5 de cada, mas não vou deixar de estudar.

Parece bobagem, mas não tem sido fácil. Porque chegando em casa depois de um dia inteiro trabalhando, a única coisa que você quer fazer é deitar e dormir. Ou assistir novela ou algo igualmente idiota, só pra não pensar em mais nada.

























Não gera muito tempo de estudo, no fim das contas, mas me sinto caminhando, avançando, aprendendo. Seria ótimo que fosse suficiente para a faculdade. Mas, não sendo...está sendo muito bom para a VIDA que, no fim das contas, é o que verdadeiramente me importa. Especialmente porque me sinto indo em direção aos meus sonhos. E isso...hum, "não tem preço". :)

Falando nisso...hora de "malhar".

Obrigado a todos pelas visitas. Voltem!


domingo, 24 de outubro de 2010

Percepção

Percepção é uma disciplina em que você ouve uma música e escreve na partitura ou olha uma partitura e canta o que está escrito. Linda e divertida, em tese, mas pra mim...um grande suplício.

Eu ouço o que está acontecendo, consigo repetir, consigo cantar. Mas "dar nome aos bois", dizer o que está acontecendo ou escrever o que estou ouvindo...ainda é muito complicado. A gente costuma dizer que estudar música é aprender uma nova língua. Sim, você está aprendendo a se expressar com uma gama de símbolos que antes não eram comuns. No caso de Percepção, é como se eu estivesse sendo alfabetizada, aprendendo a ler e escrever.

(suspiro)

Eu não me lembrava que a alfabetização era tãaaaao difícil!

Passei meu domingo tentando ouvir e classificar os intervalos, mas...tá complicadol. Tem prova quarta-feira e Deus que me defenda do que virá!

É um estudo interessante, mas começa a ficar chato quando vou me achando burra. São coisas tão simples, estou acostumada a ouvir coisas tão mais complexas em música, mas, porque tenho que escrever graficamente o que estou ouvindo, fica essa dificuldade. Aí vou estudar um pouquinho de canto pra levantar o astral, eu achar que posso melhorar, e volto.

Ainda tem essa: não posso deixar de estudar um dia que a coisa parece que regride. Deus meu...

Que os santos dos cachinhos de uva* me ajudem!













* Cachinho de uva é como a gente chama essas notinhas uma em cima da outra, que vocês estão vendo aí nessa partitura.



sábado, 23 de outubro de 2010

Re-começando

Muito bem.

Depois de pedir a mil pessoas - entre webdesigners autônomos e empresas para fazer meu site, eis que eu mesma, na minha santa ignorância internáutica e com a ajuda de meus orixás, resolvi bulir eu mesma nessa coisa e fazer uma espécie de página para mim. Os recursos dos blogs andam muito avançados e eu penso que, até uma criatura inábil como eu, vá conseguir, de alguma forma, deixar meus fãs e leitores a par do que anda me acontecendo (e do que acontecerá).

Vou continuar tentando fazer isso virar um site respeitável mas...talvez com menos agonia e pressa. Há meses não posto, não conto o que há de novo, não falo de um showzinho e isso está me incomodando muito. Então...fiz esse aí.

Por enquanto estou só mexendo nas opções de configuração e design do blog. Quem quiser ir dando opinião...vá me ajudando aí. Hoje não quero falar nada em especial. Quem sabe amanhã.

Ufa! Bom estar de volta!