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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O que fazer numa semana sem voz?

Eu jurei que ia deixar vocês mais atualizados, não é? Aí penso: será que vale a pena escrever mesmo quando não tenho nada pra falar? Hunf! A internet já está tão cheia de bagaços...Mas...vocês reclamam...então vou tentar. Se reclamarem também, aí não sei o que faço! (risos)

Semana passada estive doente, então cancelei tudo que é ensaio, aula, etc. Muito chato. Prejuízo da desgrama. :/ Ainda estou rouca, mas pelo menos a voz já sai. Se eu tivesse juízo, ainda ficaria mais uma semana de molho, mas como não tenho E os trabalhos urgem, vai tudo com voz rouca mesmo, paciência.

Estou com alguns eventos fechados aí pra fazer e 3 gravações pra marcar. Então fiquei mais ouvindo os repertórios em casa. Ainda que eu não pudesse realmente estudá-los, ouvir já adianta bastante a coisa.

Também estava com o corpo mole demais pra assistir qualquer aula ou ficar sentada ao piano, então...praticamente não estudei teorias e tudo o mais.

Estudei um pouco contrabaixo. O contrabaixo ando estudando, não é nem que queira ser baixista nem nada, mas pra me ajudar a: (1) ouvir os sons mais graves (tenho muita muita dificuldade com isso); (2) criar baixos no piano e (3) pra tirar onda mesmo. (risos) Eu amo amo amo baixo. Acho lindo demais. Então tenho brincado com ele. Como dava pra estudar deitada...hihihi, foi a única coisa que toquei. Ah, e pandeiro também.

Hihih. Será que ela gosta de fazer coisas diferentes? Afe, eu quero ter umas 7 vidas, como os gatos mesmo, pra estudar cada vez um instrumento diferente, hihihihi.


Beijo grande.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Dave Mathews

Puxa...justo esse mês, que estou ouvindo tanto a Dave Mathews Band (como escrevi aí ao lado ---------->), "tropecei" num PDF com todas as músicas de um disco dele transcritas, o Everyday. Que massa! Pena não ter justamente a que eu queria: Two steps. Piano lindo! A versão que eu tenho tem mais de 15 minutos. Mas essa dá pro gasto. Ouçam:


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Trio Elf e as lições para a excelência

O Trio Elf se constitui por piano, contrabaixo e bateria. Eles são da Alemanha e estiveram aqui em Salvador semana passada. Deram um workshop lá na Escola e um show na Livraria Cultura. Eles tocam uma música que é uma mistura livremente inspirada de house, jazz, soul, trip hop e música erudita. Como as misturas me interessam, achei fantástico!



Notei algo interessante que logo também foi apontado por um colega percussionista. Como era incrível que o baterista (esse logo na frente, aí na foto, Gerwin Eisenhauer) conseguisse, ao mesmo tempo, manter o padrão rítmico e solar. Puxa, se já é difícil fazer solos interessantes de bateria, imagine quando não existe nenhum outro instrumento percussivo segurando o ritmo (sem entrar no mérito de que o contrabaixo também é percussivo, vocês entenderam o que estou querendo dizer). Então meu colega perguntou como ele fazia isso. E a resposta do baterista foi uma verdadeira aula, mesmo pra mim, que não sou percussionista. Posso traduzir sua fala em lições para alcançar a excelência. (Que talvez sirva mais do que eu imagino, não apenas para a música, mas para qualquer atividade profissional. Bem, já estou viajando...) Vejamos:

Ele disse que, é claro, precisava de muito estudo. Disciplina. Disse que é IMPRESCINDÍVEL pra nós, músicos, estudarmos TODOS OS DIAS. Não importa quanto tempo tenhamos pra isso. Claro que, quanto mais horas, melhor, óbvio, mas se só tenho minutos, não devo achar que é desimportante ou que não vai adiantar nada. Estudar todos os dias, foi a lição número um.

Número dois: estudar de muitas formas diferentes. Na bateria foi simples pra ele mostrar como tocar um ritmo reto de 4/4 de várias maneiras, usando cada instrumento da bateria, dinâmicas, timbres, etc. Mas também dá pra fazer isso na voz! Quando eu fico passando uma mesma música mais de mil vezes, o povo diz que estou louca. "Você não já sabe a música?" Bah! (risos) Cada vez que eu canto, treino uma coisa diferente. Respiro de formas diferentes, dou intensidade a novas palavras, coloco a voz em outros locais de ressonância, afrouxo ou tensiono a laringe, deixo mais seguro ou mais frouxo o abdomén. "Você pensa mesmo em tudo isso?", minha colega me perguntou uma vez. Bem...penso! Hihihi, penso sim. Estou estudando! Então, na verdade, o  que o Gerwin me disse foi...que não estou louca! (risos) Estudar é isso mesmo. Claro que hora do show é hora do show, não penso em nada. Mas estudando...é preciso experimentar!

O que leva ao terceiro ponto: estudar deve ser algo divertido. Como baterista é claro que ele precisava estudar muito com metrônomo. E aquilo irritava bastante ele. Então ele começou a colocar batidas de djs. Tentava copiá-las e, quando conseguia, improvisava em cima delas. Puxa, que legal! É isso também. Estudar deve ser algo divertido e interessante. No meu caso, de canto, acho importante ouvir diferentes cantores, de diferentes épocas, observar sua articulação, sua respiração - ver como são diferentes - e depois achar meu próprio jeito. É uma pesquisa mesmo - e é delicioso fazê-la!

Por último, ele falou, como não podia deixar de ser, em estudarmos improvisação. O jazz, em especial, levou isso mais adiante, mais didaticamente, mas é preciso que a gente compreenda pra onde a música vai de modo geral, os caminhos harmônicos e rítmicos. Bacana, especialmente vindo da boca de um baterista, que  a gente tem a ilusão de que não precisa se preocupar com nada disso. Sim, ele precisa! Todos os músicos precisamos.

Para o alto e avante!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um pouquinho da minha história

Puxa...deixa eu aproveitar o feriado pra falar com vocês. Estou totalmente sumida, argh!

Andei doente, as bandas se reorganizando, outras se desfazendo (risos). O que eu ando fazendo esses tempos, gente, é, além de ter umas crises de identidade musical (uau, uau), ensaiando para fazer umas gravações.

Bem, as crises vão e vem, sabem? Levante a mão aí o músico que nunca pensou em jogar tudo pra cima e fazer outra coisa ou o profissional de outra coisa  que nunca pensou em jogar tudo pra cima e ser músico. (risos) Então eu fico também nessas viagens, não exatamente pensando em desistir, mas procurando um "quem sou eu" mesmo.

Essa coisa da identidade musical talvez seja algo natural e automático para alguns, mas pra maioria de nós não é. Tem uma mistura do que você gosta de tocar, com o que você foi educado pra ouvir, com as oportunidades profissionais que aparecem, com o que seus amigos dizem que é legal, enfim...uma série de coisas que vão formando o que você é, o que pensa, o que te toca. Então hoje vai ser uma mistura de confissão e de listinha, porque pensei em mostrar pra vocês algumas das (muitas) músicas que marcaram definitivamente minha caminhada musical.

A primeira de todas: O Estrangeiro, de Caetano Veloso.

Eu tinha 08 anos quando vi esse disquinho colorido na casa de meu pai, que é violonista de ouvido fantástico (que eu preferia mil vezes ter herdado do que esse nariz, ai!).


Pensei que era um disco "de criança" e botei pra ouvir. E quando começou a tocar a primeira música, eu fiquei...paralisada. Ouçam!


Foi a primeira "música de adulto" que eu tenho lembrança de ter ouvido. Por causa da Xuxa e do Balão Mágico eu queria ser cantora (huahuahua). Mas quando ouvi isso, pensei: "Meu Deus...então eu posso cantar sobre o que eu quiser?" HIhih. Passei as férias todas devorando esse disco. Claro que, aos oito anos, não sabia bem o que eu gostava tanto nele, mas era maravilhoso! Talvez por isso, como eu contei a vocês outro dia, eu ame Caetano até hoje (mesmo com tudo, hihi).

Vou colocar em segundo lugar essa aqui: Jesus Alegria dos Homens, de Bach.


Essa música foi uma das primeiras que aprendi a tocar no piano, aos 10 anos (versão facilitada, ops). Foi quando soube de muitas coisas: que eu poderia tocar músicas conhecidas; que as pessoas podiam ouvir coisas que gostavam; que havia música sem letra, sem voz; e como era delicioso ENTENDER de música. :)

Ai, ai...

Aos 14 anos me falaram de uma tal banda chamada Legião Urbana. Meus amigos também começavam a trocar os vinis pelos cds. Foi então que eu consegui comprar meu primeiro cd, que foi esse aqui:


E ouvindo Perfeição, descobri que eu também podia falar de política, dos problemas brasileiros e de tudo que me incomodava, de um jeito interessante. E também conheci o rock'n roll.


Então com 15 anos eu já estava decidida: queria fazer isso mesmo da minha vida pra sempre. E aí comecei a estudar num conservatório e cantei essa música aqui com um coral. Foi a primeira vez que vi uma regente, que dividi vozes, que vi um arranjo ser montado, que estudei técnica vocal.

Chuva de Prata, aqui com Gal Costa.


Por último, vou colocar Canto de Ossanha, de Baden Powell. Foi uma das músicas que estudei pouco antes do vestibular, por volta dos 25 anos. Foi quando me aprofundei um pouco mais na harmonia da música brasileira, a técnica vocal popular, ritmos afro-brasileiros e técnica popular de piano. Linda!


Bom, gente, ficamos por aqui hoje. Tem tantas e tantas músicas mais! Nem falei da música estado-unidense, do rap, do samba reggae, do movimento negro, da soul music, do jazz, da música orquestral, de Tom Jobim...ufa, muita coisa. Fiquem com esse gostinho aí.

Beijos!