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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Casamentos



Às vezes eu falo que sou cantora e as pessoas perguntam: "É? e onde você está tocando?" Acho engraçado. Como se ser cantor significasse necessariamente ter um lugar fixo para fazer shows semanais. Isso é o que eu menos vejo acontecendo e não sei porquê as pessoas têm essa impressão. :P

Os que estão fazendo shows com seus próprios trabalhos, fazem shows aqui e acolá, em lugares tão diferentes. Os que não estão - a maioria - vivem de dar aulas e/ou fazer eventos: casamentos, eventos de empresas, etc.

Hoje quero falar das gigs de casamento. Tenho feito alguns, seja cantando ou tocando (harpa ou piano). E, apesar de ser um show, tem uma dinâmica toda diferente.

Sempre fico emocionada e torcendo pra dar tudo certo. Não, mais do que isso, torcendo pra ficar tudo "bonito". No meu próprio show não me importo muito se as coisas estão "bonitas". Eu quero me divertir, tocar o coração das pessoas, falar uma verdade que nem sempre é bonita ou agradável. Casamento não. Eu faço a voz mais doce, toco da forma mais delicada, porque quero que tudo saia lindo, redondo, macio e "belo" para o público e especialmente para os noivos. De modo que ali não estou pensando em produto artístico exatamente, no sentido de criar, de me expressar, mas apenas de fazer daquele momento algo tocante e emotivo. O que faz toda a diferença.

Gosto de ouvir as palavras do padre e de ver a felicidade no olhar dos noivos. Apesar de ser um "show" meu, os "atores principais" são outros, e isso é, de certo modo, cômodo. Eu fico nervosa, mas é um outro nervoso. Um nervoso pra que eles brilhem. Se as pessoas olham pra mim durante a cerimônia a coisa não está indo muito bem. Gosto quando olham para eles, especialmente para a noiva. É boa também essa sensação de "bastidores", muito boa.

Outra coisa diferente é que, se no meu show às vezes tenho que repetir uma parte da música ou um improviso se extende e a gente vai curtindo aquela "vibe", num casamento a música NUNCA termina. Aliás, só quando as testemunhas estão assinando. Então eu sempre torço pra essa ser uma música divertida, porque já sei que vou ter que tocá-la ou cantá-la umas 3 ou 4 vezes, hihihi. Mas, de resto, a gente só toca muito pouco das outras, o que para a maioria dos músicos é bem frustrante. Eu particularmente gosto. Naquele contexto isso me parece muito adequado. E acho linda a maneira com que paramos no meio da música, ainda assim dando uma cara de finalização. Saber fazer essa interrupção, pra mim, é uma arte.

Também não posso deixar de falar da maravilha que é você receber a grana na hora, sem bater boca com produtor, sem fazer conta com dono de bar, sem ter que eu mesma dividir a grana dos músicos - apenas receber minha parte, colocar no sutiã e ir-me embora. Receber dinheiro de maneira tranquila é uma coisa digna e respeitosa que deveria acontecer sempre. Mas, infelizmente, com essa organização até hoje eu só tive a experiência mesmo em casamentos.

Então, gente, é por isso que não tenho convidado vocês para me ver. Estou cantando/tocando em "cerimônias secretas", em que não posso levar convidados. Mas vem aí um aniversário que parece que vou poder chamar quem eu quiser. É esta semana. Aviso assim que souber detalhes. :)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Salve, Família!




Essa semana tá rolando a I Semana Baiana de Hip Hop.

E aí o Slim Rimografia falou, como outros tantos, que o Hip Hop é "estilo de vida". Mas ele disse também: "A missão do Hip Hop é mudar a vida das pessoas." Devo dizer então que o Hip Hop cumpriu sua missão comigo: a minha vida mudou completamente depois dele.

Muita gente não sabe, mas eu fiz parte da primeira banda feminina de Hip Hop do Norte Nordeste (até onde a gente sabe): lá pelos idos de 1998-1999. O Grito. Sim, eu cantava rap! E amo rap até hoje.

Por algumas questões polêmicas que não quero falar hoje, me afastei do Movimento. Mas mantive amigos, hábitos de vida e de consumo que adquiri então.

Hoje, nesta semana linda que está acontecendo - sonho de tantos anos, de tanta gente - quero dizer em quê o Hip Hop mudou a minha vida. E vocês vão ver o quanto foi abalante.

Foi por causa do Hip Hop que eu...

1)...decidi ser musicista profissionalmente. Eu já amava música e achava que queria trabalhar com isso. Mas o que eu conhecia de música profissional era só gente cantando sexo e, os mais inteligentes, o amor. E eu queria falar dos problemas da sociedade. Eu queria falar de sentimentos que a gente não confessa pra ninguém. Como fazer isso sem ser chato, panfletário, quiçá religioso? O Hip Hop me mostrou que era possível, que era legal, que dava pra dançar e falar coisas inteligentes. E cá estou eu.

2)...me interessei por questões de gênero. Eu não entendia como aquilo era tão bom, mas só tinha meninos envolvidos. Por quê? E fui questionando isso e entendendo o papel que a sociedade fez a mulher achar que era dela. E fui entendendo que o machismo dói, tanto em nós quanto nos homens. E passei a estudar o tema. Participei de grupo de pesquisa sobre gênero no Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher. Dei início ao GT de Gênero no Conselho de Psicologia junto com algumas colegas, uma delas que veio a falecer e esse GT aproximou muito a gente, e eu pude aproveitar bastante a presença dela nos últimos tempos. E hoje estou envolvida num grupo de pesquisa sobre Gênero e Música e, caso eu enverede pela área acadêmica, tenho certeza que esse tema estará presente de algum modo.



3)...me interessei por técnica em áudio. Foi pela dificuldade de gravar as bases pra gente cantar em cima, pela dificuldade de conseguir dj pra tocar com a gente, pela dificuldade de gravar nossas vozes, que eu comecei a me interessar sobre esse misterioso mundo da "gravação". E aí fiz um curso de técnico de áudio (bem amador, mas que me deu alguma noção); comprei um computador bacana quando tive grana e estou aí sonhando com coisas maiores.

4)...resolvi estudar canto. Foi por ficar sem fôlego e por não atingir as notas mais agudas quando cantava rap que procurei estudar técnica vocal mais profundamente. Porque eu achava um absurdo ter tanta coisa pra dizer e não conseguir me expressar por limitações do meu corpo. E resolvi todas elas e fui além, além, além.

5)...me interessei por trabalhos sociais. O que eu conhecia de trabalho social até então era a distribuição de sopa no centro espírita. Então era uma coisa muito voltada à "caridade" e ao pensamento de que "são pessoas carentes". Uma visão totalmente deturpada da realidade brasileira. Conheci gente tão rica! Rica em cultura, tradição, coisas pra dizer, ensinamentos. Eu, que pensava que ia lá "ajudar" - coitada - fui a mais ajudada de todos e desci da minha arrogância de "estudante universitário que sabe de tudo". Hoje eu sei que nunca vou parar de aprender com as pessoas, porque elas são capazes de coisas inacreditáveis (pra bem e pra mal, infelizmente).

6)...me entendi como ser político. Entendi que, quer queira quer não, atuo como cidadã e construo política, onde quer que eu vá. O meu silêncio, minha omissão, já é um ato político. As coisas que escolho cantar, as festas em que vou, os grupos sociais que frequento, até o jeito que paquero são opções políticas. Então hoje estou mais consciente e sei que qualquer coisa que eu faça faz diferença SIM, nem me venham com essa conversa de "uma andorinha só não faz verão". Ô, se faz.

Por isso tudo que, mesmo afastada, nunca achei que tinha "saído" do Hip Hop. Como é que você sai de uma coisa que está dentro de você? Por tudo isso, hoje estou muito feliz, energizada, viva e grata, a meu amigo Rangelino e mais outras figuras que articularam essa Semana de Hip Hop. Está sendo fantástico ver uma gurizada chegando junto, curtindo rap, fazendo rap do bom, se profissionalizando, entendendo o papel social e artístico que vai articulando. Pô, to feliz demais. O meu salve pra toda a Família Hip Hop.



É NÓIS!!




segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quero ser Joss Stone-vich

Encontrar sua própria identidade é um caminho árduo e delicioso que todo artista passa. Por isso é interessante acompanhar toda a carreira da figura. Você vai vendo as mudanças de estilo, o amadurecimento artístico, novos temas abordados.

Sempre que me disponho a ler um autor, por exemplo, vou fazendo isso: leio seus livros todos. Quando possível, faço isso cronologicamente. Tenho feito isso com Jorge Amado no momento.

Quando começo a escutar um compositor, faço mais ou menos a mesma coisa: vou acompanhando sua discografia; comparando os arranjos; as mudanças de direção musical; os temas sendo abordados em comparação à sua vida pessoal. É muito bom ter tempo pra fazer isso. E se deleitar com cada disco, cada música, cada filme. A arte é linda quando mostra a verdade de cada um.

Mas enquanto você vai encontrando sua verdade, também é necessário passar pela fase da "imitação". Porque você experimenta ser alguém que não é, e nisso, vai se descobrindo. É lindo ver esse desabrochar de sair da imitação para ser você mesmo. =)

Esse, no entanto, é um processo que vai e vem. Não chega um dia que você diz: "Pronto, eis aqui o que sou eu e não recebo mais influência de ninguém." No post de hoje quero me usar do momento "imitação" pra me entender (ou explicar). Vejam então porque QUERO SER JOSS STONE (ou não):




- tocar ritmos tradicionais do meu país de um jeito modernoso e muito meu;
- rodar o mundo e não perder meu sotaque característico;

- ter um cabelo lindo, de comercial de shampoo;
- ter uma banda fantástica e entusiasmada me acompanhando;
- ter um naipe de sopros (que sonho!);
- ter um iluminador que não fica só mudando as cores de vermelho pra azul, mas que efetivamente consegue dar o clima adequado às músicas;
- usar livremente as mais diversas colocações da voz;
- compor músicas lindas e bestinhas, hits de sucesso;
- usar roupas hippies;
- usar a pequena rouquidão da minha voz ao meu favor;
- me divertir e rir muito no palco;
- só olhar pra um lugar do público o show todo;
- dançar deliciosamente;
- estar magra e serelepe;
- ter um tecladista com 5 pianos;
- ter um naipe de backings;
- cantar descalça;
- ganhar presentes da platéia durante todo o show;
- escolher um lugar do mundo pra ser o meu "país preferido pra fazer show";
- tocar uma música sem ensaiar e sair a coisa mais linda de meu Deus.

Tudo isso pra tirar onda (risos) e dizer que "EU FUI NO SHOW DELAAAAA"!!!!!! E que foi gorgeous...gorgeous! (E que eu, como sempre, assisti como uma grande aula.)

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Cantando a América Latina


Hoje tem apresentação de fim de semestre de Canto. Acho que já falei sobre como essas apresentações são tensas pra mim. Sempre digo à professora: me dê 20 shows pra fazer, mas não me peça pra cantar essas duas músicas. (risos) Inútil dizer que é porque estou sendo avaliada, como se não fôssemos avaliados a cada show. Então não é exatamente isso. Eu devia relaxar, afinal estou entre amigos, mas...acho que o fato de saber que aquilo vai gerar uma nota e que posso ser reprovada e ter que fazer outro semestre...bah, não sei explicar racionalmente. Fato é que divulgo aqui e chamo os amigos, na esperança de que uma alma amada esteja lá e me lembre de que não estou só. Que me dê um sorriso de amor que tranquilize o momento. E funciona! Geralmente alguém vai, apesar do horário infame (sempre no meio da tarde de um dia de semana).

Bem, hoje a apresentação é sobre a América Latina. Cada uma de nós escolheu um país e um intérprete e/ou compositor. Sinto muitíssimo o fato de termos feito esse estudo correndo. Realmente vale a pena se aprofundar nesse repertório. Postei nas redes sociais vídeos e frases interessantes que fui encontrando, pra compartilhar um pouco com vocês minhas descobertas. Mas ah...quisera ter mais tempo pra ouvir tudo, conhecer tudo. Missão impossível, mas muito desejada, confesso. Através desse repertório estudei coisas que ando com dificuldade tecnicamente, seja no canto ou no piano: ritmo, improvisação, emissão frontal da voz e a fantástica "pasagem". Argh!

Em relação ao ritmo, quando você ouve uma salsa ou um samba parece muito diferente. Pelo menos pra nós latinos isso é nítido (talvez não pra um gringo, hihihi). Mas em termos de célula rítmica, a diferença não é tão grande. O que muda são os lugares das ligaduras, basicamente, algo que tenho muita dificuldade em cantar, em contar e, mais que tudo, em executar. Alguma dificuldade em cantar essas coisas, mas tocar...nossa, é quase impossível. Acho que porque minha educação pianística foi em cima das partituras e ler uma partitura desses ritmos já é difícil para instrumentistas avançados, imagine para iniciantes. Então elas nunca são vistas. O que é ruim, não é? Por isso que defendo uma educação musical mista, com papéis, livros, academia, formalidade, mas também uma informalidade, ouvir os ritmos das ruas, dançar, cantar sem saber a letra, improvisar ouvindo os outros...mas tudo isso é assunto pra outra hora.

Então eu fiz tudo isso: chorei, cantei, dancei, improvisei, ouvi calada, li sobre o assunto, assisti filmes - enfim, mergulhei um pouco nesse mundo latino. Como eu disse, ainda superficialmente, queria mais. Os "hermanos" estão tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes. É ridículo, mas meu inglês é perfeito, enquanto meu espanhol...deixa muito a desejar. :/



Em termos de técnica vocal...bom, eu já cantei em inglês, francês, alemão...mas realmente não tinha parado pra pensar nisso: como a emissão da voz muda conforme a língua na qual você está cantando. É uma coisa impressionante. Talvez aqui isso tenha ficado mais acentuado. Os hermanos vêm de colonização espanhola, então têm toda uma descendência vocal deles também: usam a voz bem frontalmente (em oposição à nossa vertente mais nasal); usam mais de força que de suavidade (pensem na bossa nova e num bolero, e vocês vão entender o que estou falando); se usam de muitos melismas (pequenas variações cromáticas que executamos com tensão e relaxamento das pregas vocais); e cantam de forma muito apasionada, seja lá qual for o assunto.

Em termos do conteúdo das letras, claro, um quê político importante e denso, além de metáforas infinitas em relação à natureza - o que achei interessante e emocionante.

Eu uso muito a voz de cabeça - pela extensão vocal gigantesca que a música brasileira pede; pelos estudos acadêmicos; pelas minhas dificuldades com a passagem da voz, enfim, uma série de motivos. E ter que cantar tudo em emissão frontal, quase na garganta, exatamente em cima das minhas notas de passagem...Jesus! Foi um esforço espetacular, cujo resultado...me surpreendeu! Eu descobri uma voz em mim forte, poderosa, muito minha, com a qual ainda estou meio assustada. Achando estranha e, ao mesmo tempo, sendo seduzida por ela. Bem, não absorvi muito bem que essa voz nova também é minha voz, mas vou ter que mostrar a descoberta dela hoje, em público, as 15h30. Vou ter que mostrar essa voz nova e interessante, e ainda expor muitos sentimentos profundos que tenho e sobre os quais também não consigo racionalizar muito, que me vêm com essas letras e esses ritmos, de revolta, de sofrimento, de questionamentos políticos, de paixão, de amores impossíveis e de solidão.

Ah, América Latina...assim você me "vive".


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A força dos ouvidos



O semestre vai acabando e minha paixão ainda forte. Não sei se já falei que estou apaixonada por composição. Claro que eu sempre gostei de compor, todo mundo sabe disso. Mas nunca estudei o assunto. Nunca me propus a compor coisas diferentes, como música instrumental, música erudita ou para instrumentos que eu nem toco. E fui experimentando tudo isso e...está sendo uma delícia!

Aí a coisa começa a ficar confusa porque, estudando canto, o que eu mais tenho gostado de fazer é estudar instrumento e compor. Conversando com o mestre Tuzé (de Abreu), meio desesperada porque eu "tinha" que escolher alguma coisa, ele me disse: "Ora, mas a gente não controla o que gosta." Passei meses pensando nessa frase. E ele tem toda razão.

Então paciência. Sigo com minha paixão e outros amores pela vida musical afora. A questão é que, apesar de eu ser cantora, eu me sinto mesmo é musicista. O que significa que a MÚSICA me interessa, toda ela, e eu quero compreendê-la e amá-la por inteiro.

Então estou tendo que fazer duas composições para o fim do semestre e, quando mostrei a instrumental ao professor, ele disse: "Está parecendo uma trilha sonora." Não sei se foi elogio ou crítica, mas eu gostei de ouvir isso. E também fiquei impressionada com a força dos ouvidos sobre o fazer musical. De fato, eu tenho ouvido muita trilha sonora, como já disse a vocês, muita música instrumental e isso, mesmo sem querer, se refletiu na minha composição. Que coisa, não?

Bem, estou em fim de semestre e vocês devem imaginar como estou enlouquecida. O trabalho musical está voltando devagar, como a minha voz. Ainda estou rouca e, é estranho, mas não estou nem ligando. Cantando rouca, sem agudos e ainda assim, muito feliz!

Beijos.

sábado, 22 de setembro de 2012

"A gente era obrigado a ser feliz"


Eu fui dormir linda e loira, ops, e morena, e acordei COMPLETAMENTE MUDA. Não estou dizendo que acordei rouca. Estou dizendo que não saía um único som da minha boca. :O

Pensem na apoplexia que eu fiquei. E o desespero! Falei no dia seguinte e depois...8 dias sem voz ne-nhu-ma.

Foram 3 semanas de exames e remédios e tristeza. Até descobrirmos - os médicos e eu - que eu tive um refluxo bizarro durante a noite e o ácido do estômago ficou corroendo a laringe a noite toda, já que eu estava dormindo, obviamente, na horizontal. (risos)

Todas as pessoas devem cuidar da sua saúde vocal. Nós cantores, claro, temos que ter ainda mais cuidado. Manter uma série de hábitos alimentares, evitar gorduras, comer muita fruta, beber muuuuuita água e fazer uns exames regulares, já falei no outro post, laringoscopia, estroboscopia e, quando necessário, exames audiológicos. É um cuidado que eu costumo ter, de modo que acordar sem voz me pareceu completamente sem explicação. Sabe Deus o que fiz aquele dia, talvez tenha comido demais, vai saber. O fato é que, quem diria, meu estômago fez minha voz falhar. Foi assustador porque eu não estava sentindo nada antes. E o corpo é assim, tem desses mistérios.

Li uma entrevista com uma atriz, em que ela dizia que simplesmente aceitou o fato de que seu corpo funciona gerido por suas emoções. O que ela faz agora é apenas cuidar para estar sempre feliz. É uma ótima mensagem pra todas as pessoas. Pra nós que trabalhamos expressando emoções - seja lá de que forma for - é ainda mais importante.

Então estou assim: exercitando os músculos do corpo para estar cada vez mais saudável e exercitando os músculos da face, para estar sempre sorrindo.  =)




quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Saúde


Na minha compreensão, o instrumento do cantor é o corpo inteiro, já falei isso aqui. Não é só a boca nem a voz, mas tudo. Quem duvidar tente cantar sem pisar bem no chão e saberá. ;)

Então, com essa história de ficar sem voz, comecei a fazer os exames anuais de rotina. Assim como, em tese, toda mulher deveria ir ao ginecologista e todo homem deveria fazer o tal exame assustador anualmente (risos), os cantores também deveriam fazer uma série de exames todo ano: laringoscopia e estroboscopia, pelo menos. São exames em que se vê mais claramente a laringe e todo o aparelho fonador e tal. Bem importante.

Vem chegando as coleções Primavera-Verão das lojas. Essas propagandas de sapato têm sido inspiradoras e lindas. Não só porque os sapatos são um luxo, mas porque elas trazem todo um conceito do design e da marca, que tem me estimulado a pensar bastante nos meus. Nesse momento estou fechando os materiais gráficos e web. Além de estar definindo figurinos.

Aí já me retei, porque eu quis comprar umas duas peças lindíssimas e eu simplesmente não coube nelas. (risos) Já falei que tive esse insight que tenho que cuidar dos exercícios físicos mais seriamente. Eu detesto fazê-los, mas...é incrível. Quando penso que vou ficar mais leve no palco, que vou aguentar mais tempo de show, que a respiração e o apoio muscular vão melhorar, que vou ficar melhor nas câmeras e que vou caber em qualquer figurino que eu queira...me levanto e vou correr. Simples assim.

Não penso se quero, se gosto ou se não era melhor fazer outra coisa. Levanto e vou. Isso é maravilhoso e nunca aconteceu. Até pra isso a música se faz mais estimulante. ;)

Neste domingo eu participei da minha primeira corrida. Que, de fato, não foi corrida, hihihi, foi só uma caminhada de 3km, mas lá no meio, eu corri um pouquinho. Minha corrida ainda está bem leve. Mas fiquei feliz que consegui concluir os 3km em 35 minutos, depois de uma semana de perna torcida, ou seja, fui num ritmo beeeem lento mesmo.



De fato, não importa se vou ficar magra como a Gisele Bünchen (risos), claro que não vou. Só quero sentir que estou me esforçando em nome do que eu acredito. E que vou ficar mais bonita nas próximas fotos, que já começo a postar nas redes sociais. Pra vocês que acompanham o blog, posto essa aqui, mais informal, da "gangue" fotografadora:


Débora Monteiro (de azul) - fotógrafa; Cássio Caiazzo - consultor de imagem; Katita Costa (de preto) - maquiadora e eu, me acabando de rir (pra variar) - a modelo. Hihih.

Se lembrem de curtir minha página no Facebook e ficar atualizadinhos de tudo: www.facebook.com/ellencarvalhomusic.

Beijos!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

3 insights sobre música


Hoje foi um dia de insights.

1) A professora colocou novas cordas na harpa. Tem 7 meses que não estudo, porque duas delas tinham partido. Vendo aquilo, chorei. Nada do que estou fazendo hoje tem a ver com a harpa. Mas chorar apenas porque vi a possibilidade de voltar a tocá-la...me fez pensar que talvez não seja mesmo a gente que escolha o instrumento, mas que talvez os místicos tenham razão: de alguma forma estranha, o instrumento escolhe a gente. 

2) O figurinista e eu fomos a um shopping dar uma olhada em roupas, pensando nos figurinos para os shows. E só tenho uma coisa a dizer: eu preciso emagrecer. Gastar tempo fazendo exercício físico e dieta passou a ter a mesma importância do tempo que gasto estudando música. É sério!

3) Fui estudar piano. Essas "abençoadas" escalas em bemol: Ab, Eb. Talvez a galera do violão não entenda, mas tocar as tonalidades em bemol no piano é algo que realmente ferve meu cérebro. Hoje eu resolvi não pensar. Por mim! Deixa o dedo ir pro lugar que quiser. Só tinha eu e o piano aqui em casa mesmo. Nada de professores, colegas ou público. E...que impressionante! Eu toquei o exercício nessas escalas de um modo perfeito como nunca toquei antes. Não errei nenhum dedo. Não toquei nenhuma nota fora da escala. Aí eu chorei (de novo), porque entendi que...a música não é nenhuma matéria misteriosa, como muitos querem que a gente creia. Ao contrário! A música está aí! Ela quer ser tocada! É como Michelangelo dizia sobre as esculturas: elas estão ali dentro da pedra. O escultor só precisa deixar elas saírem. Hoje eu entendi que com a música é a mesma coisa! A música está ali, dentro do piano, da harpa, de mim, de qualquer instrumento. Basta eu parar de pensar; basta eu deixar os dedos, o ouvido, o estudo, o exercício, o som, soarem...e a música vai sair. A música vai sair.

Meu Deus... :O


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Fim da angústia


Pronto! Finalmente saíram os resultados de todos os 1.494 projetos em que me inscrevi e...não ganhei nenhum! (risos) Mas é isso mesmo, estou aqui pra contar pra vocês como se dá o crescimento normal da carreira de uma mega pop star (risos) e não posso enfeitar nem mentir. Fiquei feliz de ter classificado algumas coisas. Sinal de que já sei escrever projetos, pelo menos, e isso é uma grande coisa, acreditem. :)

Estamos com o repertório quase pronto, agora é conseguir lugar pra tocar mesmo, estou debruçada sobre isso. Claro que assim que fechar o lugar direitinho, falo pra vocês.

Fechei os designers, que estão fazendo o projeto gráfico e visual da coisa toda e também estou feliz porque consegui parceria com um ateliê que AMO pra fazer umas bijoux super personalizadas. Afe Maria, um LUXO! Em breve falo pra vocês sobre esse ateliê, posto umas fotinhas e tudo o mais. É preciso divulgar o trabalho de gente que cola com a gente, acreditando nos sonhos, querendo sonhar junto. Isso é muito bom e importante!

Beijos de pianista!



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Música interativa

Fui ver a defesa de doutorado de Cristiano Figueiró ontem. Ele apresentou um sistema computacional criado por ele mesmo para fazer "música interativa" que é, nas minhas palavras, aquela música que faz interação entre instrumentos e software, ao vivo. Ele foi apresentando como construiu esse software e que interações musicais ele pode fazer. Incrível ver o negócio sendo montado ali, na hora. Muita gente faz isso hoje, mas pouquíssima gente faz isso BEM. Cristiano foi uma das melhores exceções que eu já vi. ;)

Fico impressionada como essa conexão música-tecnologia hoje é fundamental. Ao ponto de nem conseguirmos pensar numa coisa sem a outra. Pra falar da mais básica tecnologia, uma professora nossa estava nos contando como foi sua graduação em Composição, e confessou que, se ela gastava 3 dias para compor algo, eram mais de 10 apenas escrevendo a peça. "Imagine escrever pra uma orquestra inteira. Errar uma nota no último sistema e ter que reescrever a página inteira." Meu Deus, como é que pode? Hoje é tão fácil, escreve e deleta no Finale e acabou.

E os programas de gravação? Um músico que conheci também me apresentou esse software - Ableton Live - um software comum, mas que foi pensado originalmente para fazer essas performances interativas ao vivo. Ele guarda arranjos das coisas que você fez, um negócio impressionante.

Hoje mesmo no ensaio, conversamos sobre pequenas inserções tecnológicas, pedaleiras, placas de som e samplers de computador. Estou adorando entender um pouco mais disso e acho que vou arriscar brincar disso mais vezes. Vamos ver se aprendo a mexer nessas loucuras. Aventura muito gostosa!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A Menina Edital

Olá, olá.

Ando sumida porque agora virei a "menina edital". Escrevendo e inscrevendo um milhão de projetos ao mesmo tempo (mentira, 5), argh! E aí toda vez que sento no computador é pra escrivinhar, escrivinhar, escrivinhar. Desculpaêêêêê!!

As pessoas andam me perguntando sobre os shows. "Calma, calma, não criemos pânico!" Os shows agora só em agosto ou setembro. Mas estou construindo com todo carinho e atenção esse show que, como vocês já sabem, é o lançamento do meu trabalho solo. Nas palavras dos músicos, tem sido muito "divertido" e acho que isso é o mais importante. Fazer arranjo é uma coisa que eu gosto muito, tanto de músicas dos outros quanto das minhas, e temos feito isso. A coisa está saindo muito mais coletiva do que eu pensei, o que é ótimo, adoro fazer coisas em conjunto.  :)

Tem outras coisas de produção também acontecendo, daqui a pouco coloco aqui também.

Agora que passou o São João, agora sim, entramos no segundo semestre. O semestre em que, a gente já sabe, tudo vai acontecer! Iupiiiiii!!!

Beijos beijos.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Fazendeira

Ufa! Sumiço, né? Mas tô por aqui, gente, tô por aqui.

O que eu fiz foi sair de todos os projetos em que eu estava. Em alguns foi tenso, em outros, simplesmente aconteceu, mas o fato é que saí de todos e agora...bem...vamo trabalhar!

Agora só vou tratar do meu projeto solo. A expressão: "O gado só engorda sob os olhos do dono" nunca fez tanto sentido, e descobri que estou mesmo virando uma empreendedora e empresária, em paralelo a ser cantora. (risos) Tivemos uma conversa muito bacana com Jurandir Santana lá na Escola que me motivou muito. Entendi que é isso mesmo: a gente precisa pensar na carreira como um empreendimento e dedicar tempo a isso. Então é isso que estou fazendo agora.



Também tive uma outra conversa bem esclarecedora, com Joana, a produtora de Manu(ela Rodrigues). Perguntei a ela se essa "administração de carreiras" que os músicos estão sendo obrigados a fazer agora (com o fim das gigantescas produtoras e gravadoras, enfim, com a mudança do cenário musical),  não estaria roubando o trabalho do produtor e ela me esclareceu que não. Que o músico tem que gerir seu "produto", tem que saber exatamente o que está oferecendo e o que quer, e definir isso não é o trabalho do produtor. É como se o produtor fosse o gerente da loja, mas o músico é o dono e se o dono não sabe pra onde ir...como orientar o gerente? Ao contrário, ela disse que trabalhar com músicos que administram suas carreiras é muito mais fácil e eles, produtores, preferem. Enfim...tive aula também na cantina da Escola. :)

Mas, por paradoxo que pareça, é nesse momento, em que me envolvo mais com a parte de administração, produção e gerenciamento dessa coisa toda, que também estou produzindo mais, compondo mais, ouvindo mais referências, pensando nos arranjos e em toda a parte musical do espetáculo. Estranho, não? Talvez não, se a gente pensar que estou mergulhando em tudo que diz respeito a esse projeto.

Estou feliz, porque estamos em maio, a meta é tocar em agosto, então estou iniciando os preparativos finais, se é que me entendem. Claro, vou contando tudo pra vocês por aqui e acho que essa semana já tenho surpresinhas. Iupiii!




segunda-feira, 23 de abril de 2012

Nota Pedal


Quem disser que eu só fico "cantando como um sabiá" na faculdade ou que eu não faço outra coisa além de parnasianamente "ouvir música" ao longo de quatro ou cinco anos seguidos, eu juro meu Deus, eu vou dar uma bifa!

Acabo de terminar mais um dos gigantescos trabalhos semanais que meus adorados professores sadicamente têm passado. Esse - como é escrito em palavras e não em partitura - levou 13 páginas. Dos "trabalhos tão simples" que minha amada professora de canto insiste em me convencer que tenho. Meu Deus!

Coloco aqui pra vocês um pedacinho dele. (Se alguém quiser as referências, pergunta que coloco aí nos comentários. Quem discordar de qualquer coisa, coloca aí também.)

Em homenagem ao meu ainda mais amado professor de harmonia, lá vai:


Pedal

Em harmonia, chama-se nota pedal  (também chamado tom pedal, ponto pedal, ponto organal ou simplesmente pedal) é um som prolongado na forma de uma nota sustentada, sobre a qual se sucedem diferentes acordes. O pedal mais comum tem lugar no registo de baixo, embora possa dar-se em outros registos vocais distintos. Habitualmente, o pedal é produzido pela nota tônica ou no quinto grau da tonalidade na qual se desenvolve, embora em algumas ocasiões se possa realizar com outros intervalos.

Um pedal tem três fases: preparação, clímax e resolução. Um pedal costuma começar com uma harmonia consonante, em que o primeiro acorde costuma conter a nota pedal; progride para harmonias menos consonantes e finaliza sobre uma harmonia totalmente consonante.

Na primeira fase deve-se estabelecer a nota que produz consonância em função da relação melodia-harmonia e que essa progressão de consonância para dissonância seja fundamental, quinta, terça, sétima e por fim as tensões. O clímax é o ponto onde a dissonância alcança grau máximo. Neste momento, a nota pedal funciona como uma nota fora do acorde, podendo ser classificada como suspensão, retardo ou nota melódica. Entretanto, a nota pedal é única em relação às notas que não pertencem ao acorde, sendo mais como uma nota adicionada do que propriamente uma “nota fora do acorde”. A fase de resolução dá-se sobre uma harmonia onde o pedal é fundamental ou quinta do respectivo acorde. A fase de preparação costuma ser mais demorada que a de resolução, embora possa haver exceções. Também pode diferir a construção destas fases.

A nota pedal tem um efeito tonal forte, “empurrando” a harmonia de volta para sua rota. Quanto a nota pedal ocorre em outra voz que não seja a do baixo, geralmente se refere a um acorde invertido.

O termo vem do órgão pela habilidade deste instrumento em sustentar uma nota indefinidamente e a tendência dessas notas de serem tocadas num teclado de pedal de órgão. Um teclado de pedal em um órgão é tocado, como o próprio nome diz, com os pés; dessa forma, um organista pode segurar a nota pedal por um enorme período enquanto ambas as mãos tocam notas em outros registros no teclado manual.



terça-feira, 17 de abril de 2012

Festivais

Assim como eu poupo vocês de falar de shows ruins, também vou lhes poupar de falar do meu próprio, que eu não gostei. Mas...fica aí o registro, porque é importante saber/lembrar que nem só de glórias vive uma super pop star. ;)

Quero divulgar aos músicos profissionais e amadores dois festivais que fiquei sabendo que abriram inscrições: o FestValda (que agora é WebFestValda, hihih) e o Festival Nacional da Canção. Dêem uma olhada aí do lado (em Festivais). --------------------------------------------------------------------->

domingo, 15 de abril de 2012

100!

E eeeeeeeeeeeeeeeis que chegamos ao CENTÉSIMO post! Uau!!! 100 coisas escritas sobre música. E o assunto rende, rende, rende, rende...

Ontem fiz um show com o Grupo Lex no Café Atelier J.C. Barreto, no São Caetano. Foi muito lindo! As pessoas tão pertinho, sentadas em banquinhos, sofá ou em pé. Muito bacana. Tiramos umas fotos depois posto aqui.

Amanhã canto com o Viola de Marujo, na Praça da Cruz Caída, no Pelourinho. Uma participação (toda) especial.

Também quero contar pra vocês que inscrevi projetos no primeiro edital de 2012 da Fundação Cultural - Calendário das Artes. É um edital simples e por isso, acho, tomei coragem de propor. Estou muito feliz porque foi a primeira vez que escrevi e inscrevi um projeto e, se rolar, vai ser muito bacana. Nunca pensei que tanto dinheiro desse pra tão pouca coisa. Ah, se as pessoas soubessem quanto custa pra executar bem um espetáculo...jamais se negariam a pagar couvert ou ingresso. Bom, vamos ficar na torcida!

E VÃO ME VEEEEEEEEER!!! :D

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Verdades

Na Escola vamos cantar Milton Nascimento e o Clube da Esquina. Passaram-se semanas e eu sem conseguir parar pra estudar as músicas. Foram músicas que EU escolhi, porque tanta dificuldade? Má vontade? Preguiça? Dificuldade? Quando o professor perguntou pra minha colega porquê ela não estava fazendo os exercícios de Harmonia, eu também me perguntei: "E você, Ellen? Por que não está estudando as músicas da aula de canto?"

Porque eu menti. Eu disse à professora que queria cantar aquelas músicas, mas...eu queria cantar outras. Mas tive medo. Não da dificuldade nem nada, mas... de olhar pra dentro de mim. De cantar aquelas letras e me deparar com coisas que eu não queria ver. De chorar. Aí aquela mesma colega lá de cima, me disse: "A dor tem que sair de alguma forma, Ellen." E eu chorei. Porque ela tem toda razão. Dá pra me esconder das pessoas, mas não dá pra me esconder da música.

E agora não páro de estudá-las.

Enquanto isso o Grupo Lex vai fazer dois shows na Fazenda Grande esse mês. O que é algo pelo menos inusitado, se você considerar que é um grupo de pop acústico. As pessoas falam que na periferia só se houve pagode e arrocha, porque as pessoas "não gostam" de "música boa". Primeiro, que é uma questão muito polêmica falar em "boa ou ruim" e, segundo, que...as pessoas gostam do que elas gostam. E foi maravilhoso ir cantar mpb lá (já fizemos um show). As pessoas cantaram junto, pediram coisas, gostaram de algumas, rejeitaram outras, e foi assim, tudo bom, eu ali oferecendo coisas, recebendo outras (pedidos, aplausos, silêncios), e...vamos tocar mais vezes. Que bom.

Esse mês então tem Milton e Clube da Esquina no Canela e Zeca Baleiro e Extreme na Fazenda Grande. Escolham suas preferências de repertório e lugar, mas VÃO ME VER! (risos) Olhem lá na sessão de Shows os endereços e detalhes.

Ah! Um material fantástico a que tive acesso, foi essa excelente revista Bequadro. Ainda não sei bem quem fez ou como, dêem uma olhada. O poema anterior tirei de lá e não páro de ler tudo. Ela ainda foi editada - espero que propositadamente - no formato de um bequadro mesmo, estou fascinada.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Vilancete de Despedida

Bahia sofro contigo
e, contristado, protesto
lançando este manifesto
que em rudes versos abrigo.
Meu canto é de filho amigo,
sem ódio, sem prevenção:
reclamo por compaixão.

Percorri toda a cidade,
de Itapuã à Ribeira,
transpondo vale e ladeira,
vi crianças na orfandade,
e clamei aos céus, piedade!
Sofro contigo, Bahia,
não faço demagogia.

Nas ruas, crime e loucura,
e a fome invadindo os lares,
mil desgostos e pesares,
abandono, desventura.
Prefiro sofrer censura
a calar por covardia:
não falo mal da Bahia.

Por ver-te nessa aflição,
minha terra, pobre terra,
meu verso é grito de guerra,
e, também, uma oração.
Reclamo por compaixão,
não faço demagogia,
não falo mal da Bahia!

Pacífico Ribeiro, 1962.


Os versos parecem de 2012.

Tristemente.

domingo, 25 de março de 2012

Junto

Eu gosto de ouvir bons solos, admiro instrumentistas solistas. Estou montando um trabalho solo. Gosto de pisar no solo e de dançar solo. Mas...o que eu gosto mesmo é de fazer as coisas em GRUPO.

Por mais solo que tudo seja, a graça mesmo, na minha opinião, está em compartilhar, dividir. Por mais solista que se seja, é preciso alguém na platéia pra ouvir aquilo, senão não tem graça. Músico que quer tocar pra ninguém, não é músico. Ninguém venha me dizer que não está nem aí pro reconhecimento. Pelo menos a sua mãe ou a sua mulher, você quer que goste do seu trabalho.

Tenho construído minha vida, minha carreira, acreditando nos coletivos. Apostando nisso. Foi o Movimento Hip Hop que me ensinou, que juntos somos mais fortes. Que juntos podemos (quase) qualquer coisa. Essa lição eu aprendi pra valer.

E adoro quando me chamam pra fazer participação especial nos shows dos amigos. Tá, não vou ganhar nada, mas quero estar ali, quero fazer parte - isso lá é não ganhar nada? É ganhar tudo! Dei um grito lá no corredor da escola: "Galera, me chamem pra qualquer coisa, qualquer gig, qualquer disciplina, ensaio, gravação - tô colada em vocês pra tudo." E é isso mesmo. Não é que quero me aparecer. (Talvez um pouco, hihihi.) Mas é que realmente acredito nisso. Na parceria. Em dar o braço. Em colar junto. Em gruvar (ou groovar, sabe lá).

E quero muito construir meu trabalho solo assim. Como assim trabalho solo em grupo? Pois é. É só assim que presta, é só assim que tem graça. Tenho conseguido juntar uma galera massa, um povo lindo, ao redor do meu sonho. E vou vendo que ele já nem é mais meu, quando um chega e fala: "...porque o nosso projeto". É isso mesmo. Bem piegas, mas totalmente verdadeiro:

Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto, é realidade.

E nem estou falando só de quem vai tocar comigo. Estou falando de quem está produzindo comigo e até de "bandas-amigas", como eu falo, grupos amigos, que tocam junto, que apóiam, que incentivam, que torcem, que perguntam. De modo que se um dia eu ganhar um Grammy, um Troféu Imprensa, um Braskem ou o Prêmio Tampinha de Ouro da Barraca do Seu Zé, acho que só vou chorar, porque não vou ter palavras nem tempo pra agradecer a tanta e tanta e tanta gente. E se eu não ganhar nada, velho...po, EU JÁ GANHEI TUDO, na moral...

Que bom estar (tão bem) acompanhada.

Obrigada, Deus!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Business

Droga!

Duas semanas sem voz. Ensaios todos cancelados, sem poder fazer as aulas, sem poder estudar canto nem percepção.

:S

Pra compensar...bem, vou aproveitando e estudando outras coisas: Piano, Harmonia e Composição, principalmente. Agora também mexendo no meu novo "instrumento", o computador. Pior que o computador - o Mac, argh! (E tudo que o envolve no momento, Finale, Garage Band, Pro Tools e tal.)

Hoje estou fazendo tudo isso ao mesmo tempo: compondo e escrevendo no Finale. Estou me divertindo muito. Até esqueci um pouco que estou aborrecida.

Ttambém ganhei um livro que eu estava querendo há algum tempo, o Música Ltda, de João Salazar. Minha professora que me deu! :)


 A capa fala por si só: "O negócio da música para empreendedores. Inclui um plano de negócios para uma banda."


Vejam como estou uma business girl. ;)


Beijos com tosse (droga).

segunda-feira, 12 de março de 2012

2012.1

Às vezes as pessoas perguntam: "mas o que é que se estuda numa faculdade de música?" Deus, eu queria saber por que o curso é tão curto, isso sim! 4 anos não dá pra nada! (Se você pensar em tudo que a música é e em tudo o que existe pra ser estudado.)

Não vou responder essa pergunta, porque ia levar mil anos. Então vou só contar pra vocês das disciplinas que eu peguei esse semestre.

Eu surtei e resolvi pegar 7 disciplinas. Pra um curso normal, 7 disciplinas já é pra deixar qualquer um meio pinel. Na área de Artes então...é muito, muito mesmo. Mas...eu espero dar conta de tudo. (Não, não espero manter meu juízo normal daqui até lá.)

Agora que estamos só no começo, estou beeeem feliz. Parece que peguei as disciplinas certas pra tudo que estou precisando estudar e fazer agora. Que bom. Vejamos:

1) Harmonia - Bem...Digamos assim, de modo bem leigo, que a música tem duas partes: aquilo que você canta e aquilo que o cara toca no violão. Aquilo que o cara toca no violão é a harmonia (meus professores me matam (e meus colegas violonistas me decepam a cabeça!) se virem esta definição, hihihi, mas hão de entender para quem escrevo). Pois bem. Digamos assim. Então é como se eu fosse estudar o "caminho" que a música toma, que tipo de tensões ela cria e desfaz.

2) Percepção - Ai, ai, ai...Já falei tanto de Percepção aqui que vocês já devem estar cansados. Percepção é o que o nome diz mesmo, é treinar o ouvido pra "perceber" mais coisas. Em termos práticos, é conseguir ouvir coisas na música e escrever numa partitura. E conseguir ler a partitura e fazer aquilo soar musicalmente. Deus me ajude (mais).

3) Canto - Bem, essa precisa explicar? Hihhi. Aqui vou estudar diferentes técnicas de canto, no caso, do canto popular brasileiro. Também estudo a história do canto no Brasil e diferentes timbragens interpretativas. Também pratico o canto, treino o que estou com mais dificuldade e ainda sou obrigada a passar pelas vexatórias "aulas shows". (risos) Digo vexatórias porque você cantar por prazer é uma coisa, mas cantar sendo avaliado...afe! Eu sei, sempre estou sendo avaliada, mas...elas valem nota, pelo amor de Deus! Hihih, eu reclamo mas amo; morro de nervoso, mas morro mais ainda quando não tem. Bem, elas já estão marcadas, vão lá na sessão de "shows" ver. ;)

4) Administração para músicos - O pessoal do curso de Música Popular inventou essa ótima disciplina, para nos ajudar a administrar nossas próprias carreiras. Na verdade, estamos vendo um pouco de produção, assessoria e administração mesmo. Bem bacana, já que os tempos mudaram e agora quem faz isso mesmo é a gente, hihih.(Exceto eu, que sou uma pessoa muuuuuuuuito chique e tenho produtora E acessora, licença, hihaihai!)

5) Composição - Sim, tomei coragem, enchi o peito e peguei composição. Bem, reza a lenda que vou aprender a compor nessa disciplina. Não sei bem como é, se temos regras para compor ou se vou virar um gênio de cabelos pra cima, mas...vou contando pra vocês. Sei que hoje já tenho que fazer uma composição inspirada livremente em alguém pra levar pro professor. Na partitura, é claro.

6) Piano - Piano popular. Então, vou aprender a tocar aquela Harmonia lá de cima pra me acompanhar ao piano e também alguns ritmos característicos da música brasileira, além de técnica pianística (levemente).

7) Tópicos em tecnologia - Outra invenção do curso, aqui vou estudar alguns programas de computador ultra básicos pra gente, como o Finale (no qual escrevemos na partitura) e Pro Tools (onde podemos fazer gravações por pistas, ou seja, com cada instrumento sendo gravado em separado). Bacaninha, né?

Bem, é isso, gente. Tá ou não tá super adequado para me ajudar? ;)

Viva o Curso de Música Popular (mesmo com toda bagunça, dificuldade, falta de aparelhagem, discussões chatas, etc, etc - É MEU E EU AMO)! (risos)

Aproveito pra divulgar que terça e quarta vamos ter a CALOUREMUS - a Calourada da Escola de Música. Das 18h as 20h estão todos convidados para assistir a jam que vamos fazer lá, microfone aberto, para calouros e veteranos.

VENHAM!! :)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Incorporando...

Ando sentindo isso...Uma força se apoderando de mim. Um negócio mexendo com minha energia, meus chakras. Papo esotérico...

Parece que algo se apodera de mim...Orixás? Incorporação? Sei lá...

As pessoas não acreditam, mas eu sou uma pessoa tímida. É sério. Há muitos anos treino pra disfarçar belamente. Parece que consigo. Mas só eu e Deus sabemos o que acontece com meu coração, meus intestinos e minhas pernas nos 15 (sim, 15!!!) primeiros minutos em cima do palco. Aí depois...vai dando uma relaxada...e algo vai se aproximando, se apoderando de mim. Em geral, não deixo. Penso no diafragma, penso naquela nota aguda que está por vir...e controlo as coisas.

Às veeeeeeeezes deixo. Uma coisa maior que eu tomar conta de tudo. É nesses dias, nessas horas, que não quero nem saber se a corda do guitarrista quebrou, se o público achou que desafinei, se algum crítico achou minha roupa inadequada. Nesses dias, quando esse "algo estranho" se apodera de mim, sinto que "guigou", como a gente fala. Que algo misterioso rolou ali. Que aquele momento foi "irrepetível". E aí não fui eu que fiz o show sozinha, exatamente. Foi uma "força estranha". E todo a dificuldade para estar ali parece que vale a pena.

E esses dias...não sei explicar como nem porquê, essa "força" tem vindo com mais força, mais frequência, mais nitidez. Antes era só em shows especialíssimos. Depois em todos os shows, pelo menos um pouquinho. E agora...é em show, ensaio, até estudando sozinha, ela vem. É um negócio que me arrebata que já nem sei se sou branca ou preta, brasileira ou gringa, se ando ou voo, se estou com fome ou se tenho conta pra pagar. Já nem sei se sou gente, instrumento, pássaro ou pedra. É um negócio que eu fecho os olhos e sinto que sou o mundo inteiro, que eu e todo mundo somos uma coisa só, que eu falo a língua dos instrumentos e que o sentimento vem com tanta força, que quase não seguro as pernas, as lágrimas, os gritos, o coração.

Acho que, quando eu deixar isso tomar completamente conta de mim, das duas uma: ou enlouqueço (de vez) ou viro artista (de verdade).


Por isso uma força me leva a cantar,

por isso essa força estranha no ar.

Por isso é que eu canto, não posso parar.


Por isso essa voz tamanha

(Força estranha, Caetano Veloso)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Com o início das aulas da faculdade aí na boca - 05 de março - eu queria falar um pouco sobre TÉCNICA. Pra vocês saberem o que ando estudando.

Passei um bom tempo sem estudar, sem fazer exercícios de canto propriamente dito. Mais de um mês. Meio que me dei férias. A gente acha que não vai fazer tanta diferença, que a técnica já se estabeleceu um pouco nos músculos...hunf. Nada disso. Os estudos não têm mesmo fim. Então observei uma certa perda nos graves. Correndo contra o tempo aí para recuperá-los, porque vou precisar deles nos trabalhos que já organizei.

Outra coisa que estou precisando reforçar é a DICÇÃO. E sabem quem eu tenho ouvido para melhorá-la? Luiz Gonzaga! O Rei do Baião tem tantas qualidades, que talvez essa tenha passado despercebida pra vocês. Ouçam como ele articula tão belamente as palavras, mesmo quando faz troça com o nosso delicioso sotaque nordestino. Uau! :)



Mas minhas metas (técnicas) mesmo esse ano são as seguintes: (1) brincar com os lugares de ressonância da voz. Mudar a voz pra lá e pra cá, que é uma característica tão marcante da música popular. Até que desenvolvi bastante isso no primeiro ano da faculdade. Estou bem melhor. Mas a mudança durante a mesma canção não vai tão automática quanto eu gostaria. E (2) IMPROVISAÇÃO. Ah...sonho. Improvisar com a voz pra mim ainda é um grande mistério. O que tenho ouvido? Ella (Fitzgerald), Tim (Maia) e Marku Ribas, principalmente. Não que sejam as melhores referências - sei que existem outras muito boas - mas apenas o que ando a fim.

Dicas? Dicas? ;)

Falando em tudo isso, xô estudar.

Grande beijo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Enfeitando a avenida

O Samba das Meninas (samba de roda) foi convidado para tocar no bloco Bankoma. São "bandas amigas", como eu falo. O Bankoma já sai há muitos anos no carnaval, no trecho do Campo Grande. Eles também são vinculados ao candomblé.

Estou vendo essa coisa da estrutura para tocarmos. Acho que, no fim das contas, só vamos mesmo dançar, hihihi, não sei, estou vendo aí. Bom, mas o fato é que o Samba das Meninas vai sair na 5a e no sábado de carnaval e eu vou estar lá com elas, ou cantando, ou enfeitando a avenida. ;)

Como diria minha amiga Belinha (de 5 anos): "As pessoas vão se derreter com a minha beleza." Ai, ai...

Ah, também quero contar pra vocês que já começamos os ensaios do Projeto Ellen Carvalho, como eu chamo meu trabalho solo. Viva!

Beijo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cores


Minha linda maquiadora veio aqui em casa pra fazermos testes de maquiagem. Eu nem sabia que isso era necessário, mas é importante "amadurecer" a maquiagem (ai, meu Deus). Ver o que fica bem no meu rosto ou não, o que vai combinar com o figurino ou não e, por fim, o que eu vou gostar ou não. Fizemos duas maquiagens: uma mais colorida e uma mais sóbria. Eis aqui o ensaio: 

materiais


preparando 

um dos resultados - feliz!


maquiagem colorida



Tá meio escuro, mas acho que dá pra vocês verem.

A greve da polícia continua aqui em Salvador. Estou muito indignada com o governo, com os políticos  que acham que são grandes coisas, com a situação, em ver minha cidade sitiada. Sei que o exército veio dar alguma segurança pra nós, mas é tão revoltante e absurdo ver soldados de fuzis no meu bairro e tanques percorrendo avenidas estratégicas da cidade. Se fosse possível, eu gostaria de ir às ruas protestar. Mas praticamente estamos todos em regime domiciliar, só saindo quem tem que sair mesmo. Já que não tenho como sair às ruas e mostrar minha indignação (pelo menos por enquanto), resolvi fazer um pequeno protesto, quase infantil, seguindo o clima estético do post, nas unhas. Pintei com a cor "Militar":



Os amigos de todos os cantos do Brasil e do mundo tem me ligado pra saber como estamos. Obrigada pela preocupação de todos, mas orem, porque não estamos lá muito bem. :/

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

INDIGNAÇÃO MUNICIPAL

Eu queria falar pra vocês que, nessa minha onda de música instrumental (ainda continua, mesmo com a virada do ano), encontrei uns arquivos escondidos aqui de umas gravações de Lula Côrtes e o violão do cara é a coisa mais linda, é uma espécie de instrumento oriental tão sonoro e lindo...

Eu queria falar pra vocês que estou montando um repertório bem bacana pro meu show, que acho que deve acontecer no segundo semestre do ano...

Eu queria contar pra vocês da confusão que está a minha matrícula na Escola de Música...

Mas, poxa...eu não vou falar nada disso.

Eu só vou falar que estou INDIGNADA com o total abandono em que a minha cidade está sendo deixada nesse final de período de mandato. E eu, que sempre sou tão tolerante com a opinião das pessoas (as partidárias, pelo menos), estou de antemão aborrecida comigo, com meus concidadãos e com todo mundo que está pensando em não fazer nada de diferente nessas eleições.

Isso é diário e constantemente visível. Hoje a novidade é que estamos tendo arrastões de violência com a greve da polícia.

Por favor, me dêem um minuto de silêncio.

:S

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu tô chegando/ de costas pro mundo

Ufa, quanto tempo, hein! Feliz ano novo a todos! Espero que seja um ano de muita música boa, pra fazer e assistir. :)

Primeiramente, quero pedir desculpas a Eric, meu fã do blog número 1. Ele tem toda razão. Ele é quem vem aqui a caaaaaaaaada post, comenta absolutamente tudo que eu escrevo, e eu pego e agradeço a quem NÃO comenta?! Opa, opa, falha minha. Me perdoe, querido. Eu sinto que quem comenta escreve comigo esse blog. É uma honra te ter aqui toda vez. MUITO OBRIGADAAAAAAAAA!!!! :D


Sobre mim, ainda tô aterrisando. Quase na beira do carnaval, mas em ritmo de retomada por aqui. Parece que já tenho um show pra fazer, mas ninguém sabe me dizer data. Oxe.

Bom...vamo chegando. 2012 promete muitas delícias pra nós.

Um abraço forte a todos.