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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Cantando a América Latina


Hoje tem apresentação de fim de semestre de Canto. Acho que já falei sobre como essas apresentações são tensas pra mim. Sempre digo à professora: me dê 20 shows pra fazer, mas não me peça pra cantar essas duas músicas. (risos) Inútil dizer que é porque estou sendo avaliada, como se não fôssemos avaliados a cada show. Então não é exatamente isso. Eu devia relaxar, afinal estou entre amigos, mas...acho que o fato de saber que aquilo vai gerar uma nota e que posso ser reprovada e ter que fazer outro semestre...bah, não sei explicar racionalmente. Fato é que divulgo aqui e chamo os amigos, na esperança de que uma alma amada esteja lá e me lembre de que não estou só. Que me dê um sorriso de amor que tranquilize o momento. E funciona! Geralmente alguém vai, apesar do horário infame (sempre no meio da tarde de um dia de semana).

Bem, hoje a apresentação é sobre a América Latina. Cada uma de nós escolheu um país e um intérprete e/ou compositor. Sinto muitíssimo o fato de termos feito esse estudo correndo. Realmente vale a pena se aprofundar nesse repertório. Postei nas redes sociais vídeos e frases interessantes que fui encontrando, pra compartilhar um pouco com vocês minhas descobertas. Mas ah...quisera ter mais tempo pra ouvir tudo, conhecer tudo. Missão impossível, mas muito desejada, confesso. Através desse repertório estudei coisas que ando com dificuldade tecnicamente, seja no canto ou no piano: ritmo, improvisação, emissão frontal da voz e a fantástica "pasagem". Argh!

Em relação ao ritmo, quando você ouve uma salsa ou um samba parece muito diferente. Pelo menos pra nós latinos isso é nítido (talvez não pra um gringo, hihihi). Mas em termos de célula rítmica, a diferença não é tão grande. O que muda são os lugares das ligaduras, basicamente, algo que tenho muita dificuldade em cantar, em contar e, mais que tudo, em executar. Alguma dificuldade em cantar essas coisas, mas tocar...nossa, é quase impossível. Acho que porque minha educação pianística foi em cima das partituras e ler uma partitura desses ritmos já é difícil para instrumentistas avançados, imagine para iniciantes. Então elas nunca são vistas. O que é ruim, não é? Por isso que defendo uma educação musical mista, com papéis, livros, academia, formalidade, mas também uma informalidade, ouvir os ritmos das ruas, dançar, cantar sem saber a letra, improvisar ouvindo os outros...mas tudo isso é assunto pra outra hora.

Então eu fiz tudo isso: chorei, cantei, dancei, improvisei, ouvi calada, li sobre o assunto, assisti filmes - enfim, mergulhei um pouco nesse mundo latino. Como eu disse, ainda superficialmente, queria mais. Os "hermanos" estão tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes. É ridículo, mas meu inglês é perfeito, enquanto meu espanhol...deixa muito a desejar. :/



Em termos de técnica vocal...bom, eu já cantei em inglês, francês, alemão...mas realmente não tinha parado pra pensar nisso: como a emissão da voz muda conforme a língua na qual você está cantando. É uma coisa impressionante. Talvez aqui isso tenha ficado mais acentuado. Os hermanos vêm de colonização espanhola, então têm toda uma descendência vocal deles também: usam a voz bem frontalmente (em oposição à nossa vertente mais nasal); usam mais de força que de suavidade (pensem na bossa nova e num bolero, e vocês vão entender o que estou falando); se usam de muitos melismas (pequenas variações cromáticas que executamos com tensão e relaxamento das pregas vocais); e cantam de forma muito apasionada, seja lá qual for o assunto.

Em termos do conteúdo das letras, claro, um quê político importante e denso, além de metáforas infinitas em relação à natureza - o que achei interessante e emocionante.

Eu uso muito a voz de cabeça - pela extensão vocal gigantesca que a música brasileira pede; pelos estudos acadêmicos; pelas minhas dificuldades com a passagem da voz, enfim, uma série de motivos. E ter que cantar tudo em emissão frontal, quase na garganta, exatamente em cima das minhas notas de passagem...Jesus! Foi um esforço espetacular, cujo resultado...me surpreendeu! Eu descobri uma voz em mim forte, poderosa, muito minha, com a qual ainda estou meio assustada. Achando estranha e, ao mesmo tempo, sendo seduzida por ela. Bem, não absorvi muito bem que essa voz nova também é minha voz, mas vou ter que mostrar a descoberta dela hoje, em público, as 15h30. Vou ter que mostrar essa voz nova e interessante, e ainda expor muitos sentimentos profundos que tenho e sobre os quais também não consigo racionalizar muito, que me vêm com essas letras e esses ritmos, de revolta, de sofrimento, de questionamentos políticos, de paixão, de amores impossíveis e de solidão.

Ah, América Latina...assim você me "vive".


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A força dos ouvidos



O semestre vai acabando e minha paixão ainda forte. Não sei se já falei que estou apaixonada por composição. Claro que eu sempre gostei de compor, todo mundo sabe disso. Mas nunca estudei o assunto. Nunca me propus a compor coisas diferentes, como música instrumental, música erudita ou para instrumentos que eu nem toco. E fui experimentando tudo isso e...está sendo uma delícia!

Aí a coisa começa a ficar confusa porque, estudando canto, o que eu mais tenho gostado de fazer é estudar instrumento e compor. Conversando com o mestre Tuzé (de Abreu), meio desesperada porque eu "tinha" que escolher alguma coisa, ele me disse: "Ora, mas a gente não controla o que gosta." Passei meses pensando nessa frase. E ele tem toda razão.

Então paciência. Sigo com minha paixão e outros amores pela vida musical afora. A questão é que, apesar de eu ser cantora, eu me sinto mesmo é musicista. O que significa que a MÚSICA me interessa, toda ela, e eu quero compreendê-la e amá-la por inteiro.

Então estou tendo que fazer duas composições para o fim do semestre e, quando mostrei a instrumental ao professor, ele disse: "Está parecendo uma trilha sonora." Não sei se foi elogio ou crítica, mas eu gostei de ouvir isso. E também fiquei impressionada com a força dos ouvidos sobre o fazer musical. De fato, eu tenho ouvido muita trilha sonora, como já disse a vocês, muita música instrumental e isso, mesmo sem querer, se refletiu na minha composição. Que coisa, não?

Bem, estou em fim de semestre e vocês devem imaginar como estou enlouquecida. O trabalho musical está voltando devagar, como a minha voz. Ainda estou rouca e, é estranho, mas não estou nem ligando. Cantando rouca, sem agudos e ainda assim, muito feliz!

Beijos.