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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Casamentos



Às vezes eu falo que sou cantora e as pessoas perguntam: "É? e onde você está tocando?" Acho engraçado. Como se ser cantor significasse necessariamente ter um lugar fixo para fazer shows semanais. Isso é o que eu menos vejo acontecendo e não sei porquê as pessoas têm essa impressão. :P

Os que estão fazendo shows com seus próprios trabalhos, fazem shows aqui e acolá, em lugares tão diferentes. Os que não estão - a maioria - vivem de dar aulas e/ou fazer eventos: casamentos, eventos de empresas, etc.

Hoje quero falar das gigs de casamento. Tenho feito alguns, seja cantando ou tocando (harpa ou piano). E, apesar de ser um show, tem uma dinâmica toda diferente.

Sempre fico emocionada e torcendo pra dar tudo certo. Não, mais do que isso, torcendo pra ficar tudo "bonito". No meu próprio show não me importo muito se as coisas estão "bonitas". Eu quero me divertir, tocar o coração das pessoas, falar uma verdade que nem sempre é bonita ou agradável. Casamento não. Eu faço a voz mais doce, toco da forma mais delicada, porque quero que tudo saia lindo, redondo, macio e "belo" para o público e especialmente para os noivos. De modo que ali não estou pensando em produto artístico exatamente, no sentido de criar, de me expressar, mas apenas de fazer daquele momento algo tocante e emotivo. O que faz toda a diferença.

Gosto de ouvir as palavras do padre e de ver a felicidade no olhar dos noivos. Apesar de ser um "show" meu, os "atores principais" são outros, e isso é, de certo modo, cômodo. Eu fico nervosa, mas é um outro nervoso. Um nervoso pra que eles brilhem. Se as pessoas olham pra mim durante a cerimônia a coisa não está indo muito bem. Gosto quando olham para eles, especialmente para a noiva. É boa também essa sensação de "bastidores", muito boa.

Outra coisa diferente é que, se no meu show às vezes tenho que repetir uma parte da música ou um improviso se extende e a gente vai curtindo aquela "vibe", num casamento a música NUNCA termina. Aliás, só quando as testemunhas estão assinando. Então eu sempre torço pra essa ser uma música divertida, porque já sei que vou ter que tocá-la ou cantá-la umas 3 ou 4 vezes, hihihi. Mas, de resto, a gente só toca muito pouco das outras, o que para a maioria dos músicos é bem frustrante. Eu particularmente gosto. Naquele contexto isso me parece muito adequado. E acho linda a maneira com que paramos no meio da música, ainda assim dando uma cara de finalização. Saber fazer essa interrupção, pra mim, é uma arte.

Também não posso deixar de falar da maravilha que é você receber a grana na hora, sem bater boca com produtor, sem fazer conta com dono de bar, sem ter que eu mesma dividir a grana dos músicos - apenas receber minha parte, colocar no sutiã e ir-me embora. Receber dinheiro de maneira tranquila é uma coisa digna e respeitosa que deveria acontecer sempre. Mas, infelizmente, com essa organização até hoje eu só tive a experiência mesmo em casamentos.

Então, gente, é por isso que não tenho convidado vocês para me ver. Estou cantando/tocando em "cerimônias secretas", em que não posso levar convidados. Mas vem aí um aniversário que parece que vou poder chamar quem eu quiser. É esta semana. Aviso assim que souber detalhes. :)