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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Vamos continuar!


Só tenho uma coisa a lhe dizer: 'Cuidado.' Não se deixe ofuscar pelo glamour. As pessoas vão começar a dizer como você é linda e maravilhosa. Não acredite nelas - mantenha seu senso crítico.

Essas foram as palavras de Fabiana Cozza quando eu lhe disse: "Fabiana, eu sou cantora e decidi seguir carreira solo depois que vi um vídeo seu e chorei." Fabiana Cozza, pra quem não conhece...precisa conhecer! Ela é minha cantora (viva) preferida, das cantoras do meu tempo, da minha geração, se assim posso dizer. Vejam aí o vídeo que me levou às lágrimas do primeiro ao último minuto e que mudou meu destino e minha rota musical:



Contando um pouco do meu show: eu canto essa música. É uma homenagem/agradecimento a Baden, a Vinícius (o poetinha), ao candomblé, a Ossanha, a meus orixás, mas também - é claro - a Fabiana. Então as pessoas têm perguntado como foi a estréia. Foi como todas as estréias: linda e tensa, feia e bonita, linda e nervosa, linda e ousada, desafinada e linda, tudo que se tem direito. Hoje um novo amigo artista me disse: "Não quero abrir mão das partes ruins de mim mesmo. Elas também me fizeram chegar até aqui."

Sim! É um show bonito. "Um bom começo", como me disseram outros dois amigos artistas. Sim, um começo lindo, eu diria. Mas não é lindo porque é perfeito. Deus me livre dos perfeitos! É lindo porque lá estava eu, lá estava o público, lá estava a música e todo o amor que ela nos proporciona. Estavam também o cenário, os músicos, a assessoria, a maquiagem, o figurino...é sonho de muita gente junta, pra eu falar qualquer coisa que não seja chamar de "lindo". É dedicação e doação demais, de todos os lados, pra dizer que foi alguma coisa além de "verdadeiro". 

Não posso descrever sentimentos em palavras de maneira exata. Vão lá ver.  :)

Fabiana ainda me disse: 

- Vai ser duro, mas não desista. Agora que você começou, só tem que continuar. Um dia eu vou estar lá te assistindo (eu abri os olhos e a boca, assustada, e ela nem deixou eu falar) e não ache isso impossível. Um dia eu vou estar lá.

:,)

Que fofa.

Eu só tenho que continuar, não é, minha linda? Então...vamos continuar.

Domingo tem mais!


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Reflexões de véspera

Você tem que ajeitar os arranjos, o figurino, o cenário, a qualidade das cordas da guitarra. Tem que ajeitar a maquiagem, o sapato, a cor do cartaz e a microfonação daquele instrumento esquisito que só vai aparecer uma vez. Você tem que ajeitar muitas coisas pra fazer um show. Se ocupar com a qualidade do som, a beleza das cores e cuidar com carinho da criatividade de todas as pessoas ao seu redor. Mas tem uma coisa que talvez você tenha que cuidar mais que todas: da sua cabeça.

Fazer um show num teatro é uma delícia, mas também um risco. Sim, as pessoas foram lá te ouvir, que ótimo. Você não está concorrendo com o garçom, a gelada, a loura gostosa, o gatinho da outra mesa (obrigada, meu Deus). Que ótimo, as pessoas gostam mesmo de música, não é? Elas foram ali pra ouvir sua música, vivaaaaaa!! Mas elas também SÓ foram fazer isso. E elas querem ouvir coisa boa, e elas merecem ouvir coisa boa.

Mas são tantas coisas...Quando você está fazendo um show seu, um projeto em que você acredita, você mostra a sua VERDADE. Mostrando minhas próprias músicas, então? Nossa, quanta verdade tem naquilo. Mas...será que a sua verdade é sempre bonita? É sempre "boa"?

De certo modo, qualquer artista está um pouco preso aos padrões estéticos do seu tempo. Da sua cultura. Da escola que segue (se há). Mas ao mesmo tempo ele é livre. Ele tem que ter um mínimo de domínio de certos elementos e - eis a graça - sair misturando de um jeito inusitado. De um jeito diferente. De um jeito que só ele poderia fazer.

Mas será que é só isso mesmo que faz um artista?...

Um arranjador me disse: "Mas não se usa 9a nesse trecho de samba nenhum." Ora, mas o meu samba tem uma 9a e eu quero essa música assim. Meu diretor me disse: "Se ela fez a música assim, vai ficar assim. Essa 9a significa alguma coisa pra você?" Eu disse: "Sim, significa muito!" Ele disse: "Então vai ficar a 9a! Muda a harmonia toda, se virem, mas essa 9a vai ficar." (risos) Ele acreditou em mim. Na minha verdade. E topou sair um pouco desse padrão estético pra deixar a minha verdade ali.

E será que as pessoas vão gostar? Será que elas vão entender que eu fiz de propósito? Não vão achar que tem algo fora de lugar? Vão achar que tem algo "estranho, mas legal"? Vão achar que valeu a pena? E será que o que essa 9a significou pra mim (uma tensão, um adeus, uma tristeza, uma confusão) vai ressoar no coração das pessoas também?

Nunca saberemos.

E cada platéia, cada público, cada vez, vai ser diferente. Cada reação é uma.

Hoje a professora de canto disse: "Ninguém canta samba assim. Mas se você quer que o seu samba seja assim, cante com verdade. Não tente se adequar. Se você acredita nisso, faça com que as pessoas também acreditem." E ela cantou como seria fazer a mesma coisa que eu estava fazendo, só que com "verdade". E eu chorei. (Hum, eu sou boba mesmo. Estou escrevendo e chorando de novo.) Porque a verdade é isso, é algo que é seu e que toca o coração do outro, sem esforço.

Já é domingo! Vou estar lá, mostrando a minha verdade, as minhas verdades, minhas histórias. Não sei se vai ser bonito ou feio, se vai agradar ou desagradar as pessoas. Resolvi correr o risco. Pagar pra ver. Eu só espero, SINCERAMENTE, que a verdade de cada um possa ser convocada pra fora; que vocês possam sair de lá sentindo qualquer coisa - alegria, raiva, amor - mas que seja qualquer coisa SUA. E VERDADEIRA. Como eu sei que vou estar sentindo as "minhas coisas" ali no palco, junto com vocês.

Êa! Bora Gamboa!